Discurso de Tomada de Posse do Provedor

para o mandato 2020-2023

 

   

Quero agradecer a vossa presença e cumprimentar os órgãos sociais da Santa Casa eleitos, os Irmãos e Irmãs bem como os colaboradores presentes.

É um orgulho e uma satisfação enorme tomar posse novamente como Provedor desta secular instituição. O último mandato foi muito intenso e gerador de algum desgaste, mas talvez um dos mais produtivos em termos de atividade e ação social.

A Santa Casa como uma referência ou um conceito institucional já não é suficiente. Atualmente, tal como o Papa Francisco nos diz: “a vida cristã não pode ser auto referencial mas deve sair de si própria para dar-se aos outros”. É por isso que a Misericórdia como instituição cristã tem de ir para além das suas portas.

Ir ao encontro das pessoas da nossa comunidade foi o que fizemos com a RLIS Rede Local de Intervenção Social, serviço de atendimento e acompanhamento social que se destacou pelo apoio às situações de vulnerabilidade social nomeadamente ao isolamento e situações de pobreza e/ou exclusão social encaminhados com o auxilio e em articulação com os parceiros da rede social.

Nestes últimos 3 anos foram efetuados 4000 atendimentos e 500 acompanhamentos sociais para 1500 beneficiários. Infelizmente este serviço vai encerrar este mês por falta de financiamento do Estado.

Também o programa das cantinas sociais com a distribuição de refeições já confecionadas, bem como a coordenação do programa Po Apmc (programa operacional de apoio às pessoas mais carenciadas), responsável pela distribuição de géneros alimentares no Concelho de Mira e Cantanhede, envolvem uma grande logística. Só para terem uma ideia de novembro de 2017 a dezembro de 2019 foram distribuídas 16,2 toneladas de géneros alimentares entre secos, frios e congelados para 284 beneficiários.

Assim nos últimos 4 anos passámos dos 500 utentes internos para 1300 beneficiários dos serviços da nossa Santa Casa. Isto é sem dúvida um passo muito qualitativo e significativo no desenvolvimento da missão benemérita desta Santa Casa.

Para os próximos 4 anos a situação financeira do país não vai sofrer grandes alterações. Os constrangimentos causados na diminuição do financiamento estatal condiciona as disponibilidades para o incremento da massa salarial dos nossos colaboradores. Criam injustiças e mau estar entre as diversas categorias profissionais e conduzem à fragilidade e ao desânimo.

É necessário valorizar os colaboradores reconhecendo a sua dedicação, desenvolvendo um programa de avaliação contínua de desempenho, com incentivos, para aumentar o envolvimento dos funcionários e incentivar o espírito de equipa.

Estaremos atentos e prometemos uma gestão profissionalizada. Procurar gerar lucros para financiar a nossa missão. Deve assumir-se, sem complexos, que se está na "economia social" e que esta não pode ser diferente, em matéria de gestão, da outra, a verdadeira economia. Inovar numa gestão profissional preservando o princípio do voluntariado dos membros dos órgãos sociais

Aumentar a eficácia com maior qualidade as respostas sociais, otimizando os recursos diminuindo os desperdícios.

Utilizarmos economia de escala tirando partido da união, partilha e confiança existente entre nós.

É importante a captação de outras fontes de rendimentos, diminuindo a dependência do estado, acautelando a sustentabilidade.

Referir também o mandato desta misericórdia à frente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas que termina no próximo sábado. Foi um mandato muito difícil mas onde sentimos sempre a solidariedade e o reconhecimento de todas as Misericórdias do distrito de Coimbra. Foi um trabalho de coordenação e ajuda nas dificuldades que surgiram. Como foi o caso das revisões em baixa dos acordos de cooperação ou do atraso nos pagamentos da ARS às nossas UCCIs, ou ainda na tragédia dos incêndios ou mais recentemente da tempestade Leslie. Em todas estas ou noutras situações próprias de cada Misericórdia o Secretariado teve um papel essencial na resolução das mesmas.

Para concluir, com o vosso apoio esta mesa administrativa terá a sua tarefa facilitada pois temos um objetivo comum, satisfazer as necessidades dos nossos utentes.

Como S. Paulo refere na sua carta aos Filipenses, “Peço, na minha oração, que a vossa caridade se enriqueça cada vez mais de compreensão e critério.”

Boa tarde a todos

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