
Boa tarde a todos os presentes.
Apresento, em representação da Mesa Administrativa da Santa Casa
da Misericórdia de Cantanhede, os mais respeitosos cumprimentos:
Ao Exmo. Sr. Presidente da Camara Municipal de Cantanhede Dr.
João Moura
Ao Exmo. Sr. Presidente da Mesa de Assembleia da Santa casa da
Misericórdia de Cantanhede, Dr. Luís Pais de Sousa e restantes
membros dos órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia de
Cantanhede
Ao Exmo. Sr. Diretor do Centro Distrital da Segurança Social de
Coimbra, Engº. Ramiro Miranda
Ao Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Diretivo da Administração
Regional de Saúde do centro, Dr. José Tereso
Ao representante de Sua Excelência Reverendíssima o Bispo da
Diocese de Coimbra
Ao Exmo. Sr Presidente da Assembleia Municipal de Cantanhede
Aos Exmos. Srs. Vereadores da Camara Municipal de Cantanhede
Ao Exmo. Sr. Representante do Conselho de Administração do
Hospital Arcebispo João Crisóstomo
Aos Exmos membros das ECR e ECL da RNCCI
Aos Exmos Srs. Provedores e Mesários das Misericórdias do
distrito de Coimbra
Aos Exmos Sr. Presidente e Comandante dos Bombeiros Voluntários
de Cantanhede
Aos Exmos. Srs. Presidentes e representantes das entidades
protocoladas com a Misericórdia de Cantanhede
Aos Exmos Srs. Dirigentes e representantes das IPSS do Concelho
Às Entidades Civis e Militares aqui presentes
Aos Irmãos e Irmãs da Irmandade
Aos Colaboradores da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede
Cumprimento de modo especial os Irmãos dos Corpos Sociais que
hoje cessam funções, e agradeço-lhes a sua colaboração
voluntariosa e dedicada ao longo dos últimos mandatos.
Meus senhores e minhas senhoras:
Começo o meu discurso de posse como Provedor da Santa Casa da
Misericórdia de Cantanhede com as últimas palavras do discurso
de posse do mandato anterior.
(…) Não nos basta fazermos análises claras da crise que
atravessamos, temos de estar atentos e deixar que o sofrimento
dos outros nos toque o coração. (…) Quando o sofrimento dos
outros nos toca o coração, tornamo-nos inventivos na busca de
ajuda; é a fecundidade transformadora do amor misericordioso,
que nos move!
A criação das Santas Casas da Misericórdia são resultado de 500
anos a transformar o setor solidário e a responder com
manifestações de proteção, semeando assim uma mensagem de
fraternidade cristã.
A nossa responsabilidade em manter este projeto ao longo do
tempo passa por inovar.
Numa conjuntura económica difícil, sendo porventura este o
ambiente natural da atividade das misericórdias, temos que
reformular os conceitos de financiamento até aqui muito
dependente do Estado social, atualmente debilitado. Acreditar em
soluções de maior proximidade respondendo às carências
específicas de cada área de intervenção.
A sustentabilidade mencionada por mim em diversas ocasiões é uma
preocupação generalizada dos gestores das instituições do 3º
setor. Os sacrifícios exigidos e a austeridade imposta têm
prejudicado uma percentagem cada vez maior da população. As
reformas nas políticas sociais têm tardado e a contração da
economia vai emagrecendo o país. A excessiva dependência do
estado social e a perda do poder de compra, o aumento da taxa
de desemprego, a desagregação familiar com novos conceitos de
estrutura na nossa sociedade, assim como a baixa natalidade
conduziram a uma situação de iminente rutura nas IPSS
financeiramente mais vulneráveis.
No futuro próximo a formula da sustentabilidade passará por
ajustamentos e novos conceitos de financiamento, repensar os
investimentos em equipamentos, conforme as necessidades evitando
as sobreposições e duplicação de respostas, dando poder e
eficácia às redes sociais existentes. Um processo dinâmico e
menos burocrático de transferências de acordos de cooperação
conforme as necessidades de cada instituição. A excessiva
dependência do estado não é só financeira. No funcionamento dos
equipamentos, enquanto a ocupação de utentes das respostas de
lar, centro de dia, serviço de apoio domiciliário, bem como do
pré-escolar, dependem diretamente da instituição (preços e
qualidade do serviço), as respostas do Lares infância e
juventude (Lar Maria Cordeiro) e dos cuidados continuados a sua
ocupação depende diretamente do estado, que remunera apenas a
frequência não se responsabilizando com os custos fixos exigidos
para o funcionamento em pleno.
Para além da crise económica assistimos hoje a uma crise de
afetos a um deficit de participação na vida das instituições por
parte da comunidade. É necessário incentivar e incrementar todas
as formas de voluntariado, contribuindo assim com uma
valorização do regular funcionamento destas instituições.
Nos mandatos anteriores a Santa Casa definiu um plano
estratégico que visou o apetrechamento de novos equipamentos
melhorando e aumentando a resposta dada nas áreas social,
educativa e da saúde. A sua execução colocou a nossa Instituição
em lugar de destaque, que a sua ação e a sua história lhe
confere, constituindo-a como um dos maiores núcleos
dinamizadores deste concelho, geradora de mais emprego, criando
cerca de 60 postos de trabalho nos últimos anos. Ampliando o seu
campo de intervenção, num percurso inovador e de excelência,
respondendo na prática às atuais formulações de proteção e ação
social, bem como a desafios e problemáticas emergentes da
sociedade sem nunca por em causa a sustentabilidade da
instituição.
Para este mandato que hoje inicio a prioridade passa pela
requalificação da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas
Francisco Pinto de Carvalho, e da Estrutura Residencial para
Pessoas Idosas Adelino Bugalho, adequando-os à legislação em
vigor e melhorando significativamente os espaços não utilizados.
Concretizar, com o apoio da Câmara Municipal, o projeto dos
arranjos exteriores envolventes ao edifício do Hospital do
Arcebispo João Crisóstomo, assim como a execução do ordenamento
paisagístico dentro do “campus” da Instituição, incluindo uma
entrada condigna para viaturas e peões de acesso à Santa Casa.
Não esquecendo a uniformização de toda a iluminação exterior,
bem como a melhoria dos espaços verdes e a colocação de
mobiliário urbano para utilização dos utentes com segurança e
qualidade ambiental.
Uma outra prioridade passa pela intervenção na Quinta da
Varziela, através de uma candidatura ao novo quadro fundos
comunitários Portugal 2020, num projeto de turismo rural de
requalificação do edificado existente na mesma.
Tendo a intenção e o objetivo de promover uma maior intervenção
social junto da comunidade a Santa Casa decidiu ainda
candidatar-se ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Social,
designadamente ao programa RLIS – Rede Local de Intervenção
Social, que assenta numa lógica de intervenção articulada e
integrada de entidades com responsabilidade no desenvolvimento
da ação social e na prossecução do interesse público.
Deste modo, realço que os interesses da população são os nossos
próprios interesses, estou a falar concretamente do Hospital do
Arcebispo João Crisóstomo de que a Santa Casa é proprietária.
Apesar do intencional silêncio em relação a este assunto devo
manifestar preocupação com a perda na capacidade de resposta que
o hospital tem vindo a oferecer à população. Independentemente
do processo de devolução, a tutela tem o dever de manter níveis
de acesso, desempenho assistencial e produtividade dentro de
parâmetros aceitáveis, impedindo uma degradação progressiva da
sua resposta obrigando a população a recorrer aos concelhos
vizinhos.
Iniciou este ano o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. O
Papa Francisco pede-nos, na sua bula de convocação
“Misericordiae Vultus”, que o povo cristão reflita, durante o
Jubileu, sobre as obras de misericórdia, corporais e
espirituais. Como irmãos de misericórdia, pertencentes a uma
irmandade com este mesmo compromisso, temos a obrigação de viver
este Jubileu com alegria redobrada pondo em prática a nossa
missão. Saibamos pois, quer individualmente quer no seio da
irmandade, participar e promover iniciativas direcionadas aos
mais necessitados em cooperação com os mais diversos movimentos
da igreja.
Aproveito a presença do Reverendíssimo Bispo da Diocese de
Coimbra, D. Virgílio para manifestar a nossa disponibilidade em
colaborar e promover iniciativas conjuntas da igreja, com as
Santas Casas pertencentes a esta diocese, neste ano jubilar da
Misericórdia.
Aos colaboradores desta Instituição presto a minha homenagem e
gratidão pela forma dedicada e profissional com que desempenham
as suas funções. Sendo esta uma atividade diferenciada, e
vocacional desempenhada em seres frágeis, privados do seu
ambiente familiar, mas sempre compensada com o carinho e a
dedicação responsabilidade e profissionalismo. Sendo eu próprio
testemunha em várias situações ao cuidado e afetividade com que
os idosos, os doentes e as crianças são tratados.
É de salientar a elevada participação e empenho dos
colaboradores, na formação continua modular especifica que tem
vindo a ser proporcionada pela Santa Casa. Continuará a ser um
investimento devido ao valor acrescentado na valorização
profissional e na certificação de competências reconhecidas pelo
desempenho de funções.
Um agradecimento muito especial aos Provedores presentes pelo
apoio que tive durante estes 3 anos como Presidente do
Secretariado Regional de Coimbra da UMP. Foram anos difíceis de
grande contenção e várias dificuldades que desafiaram a nossa
ação. Foi necessário reforçar a união dentro da União, aumentar
a confiança, realizar reuniões descentralizadas em muitas
misericórdias do distrito verificando as suas dificuldades in
loco, promovendo assim a proximidade.
Nestes conselhos distritais foram debatidos temas como o modelo
de projeto dos compromissos, apresentados os protocolos de
cooperação entre o estado e entidades representativas do setor
solidário, e salientada a posição firme do Secretariado em
relação ao processo de transferências de acordos de cooperação
em caso de revisões em baixa.
Mais recentemente realizado o acompanhamento nas candidaturas da
RLIS e CLDSs , com vista ao alargamento de funções no âmbito da
intervenção social.
Com o objetivo de preparar as Misericórdias para o no quadro
comunitário foram efetuadas reuniões com a Comunidade
intermunicipal e a CCDR e feita uma avaliação e sinalização de
projetos em áreas prioritárias das Santas Casas.
Por fim é de realçar também o documento “ Caracterização das
Misericórdias do distrito de Coimbra”, que descreve áreas de
atividade, recursos humanos, património, efetuado com o objetivo
de conhecer melhor todas as Misericórdias do Distrito
Ao chegar ao fim deste mandato, quero agradecer aos meus amigos
do Secretariado, ao Dr. António Sérgio, Provedor da Misericórdia
da Pampilhosa da Serra, e ao Dr. Carraco, Provedor da
Misericórdia de Montemor-o-Velho, toda a colaboração manifestada
ao longo do triénio.
Um agradecimento especial ao Assessor técnico do Secretariado
Regional Coimbra-UMP, Dr. Nuno Gomes pela dedicação e
disponibilidade, espirito de sacrifício demonstrada,
profissionalismo e o conhecimento técnico colocada ao serviço de
todos nós.
Com sensação de dever cumprido, incentivado por muitos de vós, e
para dar continuidade a este trabalho, anuncio hoje a intenção
de recandidatar esta Misericórdia, com o vosso apoio, a um novo
mandato à frente dos destinos do Secretariado Regional de
Coimbra da UMP.
Últimas palavras vão para os Irmãos desta Misericórdia, aos
quais agradeço a confiança manifestada e depositada nos irmãos
que integram os novos corpos sociais da Santa Casa.
Ser capaz de entender e partilhar a dor e o sofrimento, assim
como sentir o amor, e compaixão pelos outros. A Santa Casa deve
ser o instrumento, o meio, para atingir este objetivo. É
essencial a colaboração e o apoio de todos os irmãos. A
participação nas mais diversas atividades e iniciativas da
Misericórdia dá a força necessária para superar as muitas
dificuldades que se aproximam. É tempo de união, esquecer
divergências. Somos todos irmãos, animados a promover as 7 obras
corporais e espirituais que inspiram as Misericórdias há mais de
500 anos.
Que o manto da Senhora das Misericórdias nos cubra com as
maiores bênçãos, no exercício das funções que agora iniciamos.
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