Decorreu, no passado dia 13 de janeiro, pelas 18:30 horas, a Tomada de Posse dos Órgãos Sociais da Santa Casa da misericórdia de Cantanhede para o quadriénio 2016-2019, com o Auditório desta Instituição repleto.

 

Discurso de posse do Provedor

 

 

Boa tarde a todos os presentes.

Apresento, em representação da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede, os mais respeitosos cumprimentos:

Ao Exmo. Sr. Presidente da Camara Municipal de Cantanhede Dr. João Moura

Ao Exmo. Sr. Presidente da Mesa de Assembleia da Santa casa da Misericórdia de Cantanhede, Dr. Luís Pais de Sousa e restantes membros dos órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede

Ao Exmo. Sr. Diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Coimbra, Engº. Ramiro Miranda

Ao Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Diretivo da Administração Regional de Saúde do centro, Dr. José Tereso

Ao representante de Sua Excelência Reverendíssima o Bispo da Diocese de Coimbra

Ao Exmo. Sr Presidente da Assembleia Municipal de Cantanhede

Aos Exmos. Srs. Vereadores da Camara Municipal de Cantanhede

Ao Exmo. Sr. Representante do Conselho de Administração do Hospital Arcebispo João Crisóstomo

Aos Exmos membros das ECR e ECL da RNCCI

Aos Exmos Srs. Provedores e Mesários das Misericórdias do distrito de Coimbra

Aos Exmos Sr. Presidente e Comandante dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede

Aos Exmos. Srs. Presidentes e representantes das entidades protocoladas com a Misericórdia de Cantanhede

Aos Exmos Srs. Dirigentes e representantes das IPSS do Concelho

Às Entidades Civis e Militares aqui presentes

Aos Irmãos e Irmãs da Irmandade

Aos Colaboradores da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede

 

Cumprimento de modo especial os Irmãos dos Corpos Sociais que hoje cessam funções, e agradeço-lhes a sua colaboração voluntariosa e dedicada ao longo dos últimos mandatos.

Meus senhores e minhas senhoras:

Começo o meu discurso de posse como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede com as últimas palavras do discurso de posse do mandato anterior.

(…) Não nos basta fazermos análises claras da crise que atravessamos, temos de estar atentos e deixar que o sofrimento dos outros nos toque o coração. (…) Quando o sofrimento dos outros nos toca o coração, tornamo-nos inventivos na busca de ajuda; é a fecundidade transformadora do amor misericordioso, que nos move!

A criação das Santas Casas da Misericórdia são resultado de 500 anos a transformar o setor solidário e a responder com manifestações de proteção,  semeando assim uma mensagem de fraternidade cristã.

A nossa responsabilidade em manter este projeto ao longo do tempo passa por inovar.

 Numa conjuntura económica difícil, sendo porventura este o ambiente natural da atividade das misericórdias, temos que reformular os conceitos de financiamento até aqui muito dependente do Estado social, atualmente debilitado. Acreditar em soluções de maior proximidade respondendo às carências específicas de cada área de intervenção.

A sustentabilidade mencionada por mim em diversas ocasiões é uma preocupação generalizada dos gestores das instituições do 3º setor. Os sacrifícios exigidos e a austeridade imposta têm prejudicado uma percentagem cada vez maior da população. As reformas nas políticas sociais têm tardado e a contração da economia vai emagrecendo o país. A excessiva dependência do estado social e a perda do poder de compra, o  aumento da taxa de desemprego, a desagregação familiar com novos conceitos de estrutura na nossa sociedade, assim como a baixa natalidade conduziram a uma situação de iminente rutura nas IPSS financeiramente mais vulneráveis.

No futuro próximo a formula da sustentabilidade passará por ajustamentos e novos conceitos de financiamento, repensar os investimentos em equipamentos, conforme as necessidades evitando as sobreposições e duplicação de respostas, dando poder e eficácia às redes sociais existentes. Um processo dinâmico e menos burocrático de transferências de acordos de cooperação conforme as necessidades de cada instituição. A excessiva dependência do estado não é só financeira. No funcionamento dos equipamentos, enquanto a ocupação de utentes das respostas de lar, centro de dia, serviço de apoio domiciliário, bem como do pré-escolar, dependem diretamente da instituição (preços e qualidade do serviço), as respostas do Lares infância e juventude (Lar Maria Cordeiro) e dos cuidados continuados a sua ocupação depende diretamente do estado, que remunera apenas a frequência não se responsabilizando com os custos fixos exigidos para o funcionamento em pleno.

Para além da crise económica assistimos hoje a uma crise de afetos a um deficit de participação na vida das instituições por parte da comunidade. É necessário incentivar e incrementar todas as formas de voluntariado, contribuindo assim com uma valorização do regular funcionamento destas instituições.

Nos mandatos anteriores a Santa Casa definiu um plano estratégico que visou o apetrechamento de novos equipamentos melhorando e aumentando a resposta dada nas áreas social, educativa e da saúde. A sua execução colocou a nossa Instituição em lugar de destaque, que a sua ação e a sua história lhe confere, constituindo-a como um dos maiores núcleos dinamizadores deste concelho, geradora de mais emprego, criando cerca de 60 postos de trabalho nos últimos anos. Ampliando o seu campo de intervenção, num percurso inovador e de excelência, respondendo na prática às atuais formulações de proteção e ação social, bem como a desafios e problemáticas emergentes da sociedade sem nunca por em causa a sustentabilidade da instituição.

Para este mandato que hoje inicio a prioridade passa pela requalificação da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas Francisco Pinto de Carvalho, e da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas Adelino Bugalho, adequando-os à legislação em vigor e melhorando significativamente os espaços não utilizados.

Concretizar, com o apoio da Câmara Municipal, o projeto dos arranjos exteriores envolventes ao edifício do Hospital do Arcebispo João Crisóstomo, assim como a execução do ordenamento paisagístico dentro do “campus” da Instituição, incluindo uma entrada condigna para viaturas e peões de acesso à Santa Casa. Não esquecendo a uniformização de toda a iluminação exterior, bem como a melhoria dos espaços verdes e a colocação de mobiliário urbano para utilização dos utentes com segurança e qualidade ambiental.

Uma outra prioridade passa pela intervenção na Quinta da Varziela, através de uma candidatura ao novo quadro fundos comunitários Portugal 2020, num projeto de turismo rural de requalificação do edificado existente na mesma.

Tendo a intenção e o objetivo de promover uma maior intervenção social junto da comunidade a Santa Casa decidiu ainda candidatar-se ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Social, designadamente ao programa RLIS – Rede Local de Intervenção Social, que assenta numa lógica de intervenção articulada e integrada de entidades com responsabilidade no desenvolvimento da ação social e na prossecução do interesse público.

Deste modo, realço que os interesses da população são os nossos próprios interesses, estou a falar concretamente do Hospital do Arcebispo João Crisóstomo de que a Santa Casa é proprietária. Apesar do intencional silêncio em relação a este assunto devo manifestar preocupação com a perda na capacidade de resposta que o hospital tem vindo a oferecer à população. Independentemente do processo de devolução, a tutela tem o dever de manter níveis de acesso, desempenho assistencial e produtividade dentro de parâmetros aceitáveis, impedindo uma degradação progressiva da sua resposta obrigando a população a recorrer aos concelhos vizinhos.

Iniciou este ano o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. O Papa Francisco pede-nos, na sua bula de convocação “Misericordiae Vultus”, que o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia, corporais e espirituais. Como irmãos de misericórdia, pertencentes a uma irmandade com este mesmo compromisso, temos a obrigação de viver este Jubileu com alegria redobrada pondo em prática a nossa missão. Saibamos pois, quer individualmente quer no seio da irmandade, participar e promover iniciativas direcionadas aos mais necessitados em cooperação com os mais diversos movimentos da igreja.

Aproveito a presença do Reverendíssimo Bispo da Diocese de Coimbra, D. Virgílio para manifestar a nossa disponibilidade em colaborar e promover iniciativas conjuntas da igreja, com as Santas Casas pertencentes a esta diocese, neste ano jubilar da Misericórdia.

Aos colaboradores desta Instituição presto a minha homenagem e gratidão pela forma dedicada e profissional com que desempenham as suas funções. Sendo esta uma atividade diferenciada, e vocacional desempenhada em seres frágeis, privados do seu ambiente familiar, mas sempre compensada com o carinho e a dedicação responsabilidade e profissionalismo. Sendo eu próprio testemunha em várias situações ao cuidado e afetividade com que os idosos, os doentes e as crianças são tratados.

É de salientar a elevada participação e empenho dos colaboradores, na formação continua modular especifica que tem vindo a ser proporcionada pela Santa Casa. Continuará a ser um investimento devido ao valor acrescentado na valorização profissional e na certificação de competências reconhecidas pelo desempenho de funções.

Um agradecimento muito especial aos Provedores presentes pelo apoio que tive durante estes 3 anos como Presidente do Secretariado Regional de Coimbra da UMP. Foram anos difíceis de grande contenção e várias dificuldades que desafiaram a nossa ação. Foi necessário reforçar a união dentro da União, aumentar a confiança, realizar reuniões descentralizadas em muitas misericórdias do distrito verificando as suas dificuldades in loco, promovendo assim a proximidade.

Nestes conselhos distritais foram debatidos temas como o modelo de projeto dos compromissos, apresentados os protocolos de cooperação entre o estado e entidades representativas do setor solidário, e salientada a posição firme do Secretariado em relação ao processo de transferências de acordos de cooperação em caso de revisões em baixa.

Mais recentemente realizado o acompanhamento nas candidaturas da RLIS e CLDSs , com vista ao alargamento de funções no âmbito da intervenção social.

Com o objetivo de preparar as Misericórdias para o no quadro comunitário foram efetuadas reuniões com a Comunidade intermunicipal e a CCDR e feita uma avaliação e sinalização de projetos em áreas prioritárias das Santas Casas.

Por fim é de realçar também o documento “ Caracterização das Misericórdias do distrito de Coimbra”, que descreve áreas de atividade, recursos humanos, património, efetuado com o objetivo de conhecer melhor todas as Misericórdias do Distrito

 

Ao chegar ao fim deste mandato, quero agradecer aos meus amigos do Secretariado, ao Dr. António Sérgio, Provedor da Misericórdia da Pampilhosa da Serra, e ao Dr. Carraco, Provedor da Misericórdia de Montemor-o-Velho, toda a colaboração manifestada ao longo do triénio.

Um agradecimento especial ao Assessor técnico do Secretariado Regional Coimbra-UMP, Dr. Nuno Gomes pela dedicação e disponibilidade, espirito de sacrifício demonstrada, profissionalismo e o conhecimento técnico colocada ao serviço de todos nós.

Com sensação de dever cumprido, incentivado por muitos de vós, e para dar continuidade a este trabalho, anuncio hoje a intenção de recandidatar esta Misericórdia, com o vosso apoio, a um novo mandato à frente dos destinos do Secretariado Regional de Coimbra da UMP.

Últimas palavras vão para os Irmãos desta Misericórdia, aos quais agradeço a confiança manifestada e depositada nos irmãos que integram os novos corpos sociais da Santa Casa.

 Ser capaz de entender e partilhar a dor e o sofrimento, assim como sentir o amor, e compaixão pelos outros. A Santa Casa deve ser o instrumento, o meio, para atingir este objetivo. É essencial a colaboração e o apoio de todos os irmãos. A participação nas mais diversas atividades e iniciativas da Misericórdia dá a força necessária para superar as muitas dificuldades que se aproximam. É tempo de união, esquecer divergências. Somos todos irmãos, animados a promover as 7 obras corporais e espirituais que inspiram as Misericórdias há mais de 500 anos.

Que o manto da Senhora das Misericórdias nos cubra com as maiores bênçãos, no exercício das funções que agora iniciamos.

 

   
       

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