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Durante a sua existência, a ação social da Santa Casa da Misericórdia
de Cantanhede, assentou em pilares de proteção social aos mais
necessitados – fazer bem a quem precisa - com o objetivo de satisfazer
carências sociais e de praticar atos de culto católico, segundo os
princípios da doutrina e moral cristã.
Nos dias de hoje, esta Santa Casa, dado a sua importância e a sua
capacidade de se adaptar a novas circunstâncias, que decorrem do apelo à
dignidade da pessoa humana, semeia a sua mensagem de fraternidade
cristã, reafirma-se na sociedade, evoluindo de formas meramente
assistencialistas para novas atitudes de proteção e solidariedade
social.
A Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede, apresenta uma obra ampla
intensa e diversificada, orientada para os problemas sociais. No
entanto, num futuro próximo ampliará a sua ação na área da saúde, com a
entrada em funcionamento da unidade de cuidados continuados concluída há
mais de um ano e apenas esperando por autorização das entidades
competentes para entrar em funcionamento, após assinatura dos respetivos
acordos de cooperação, globalizando as suas
práticas em prol dos mais fragilizados.
A gestão de uma casa como esta, com 150 funcionários distribuídos por 9
valências, com mais de 400 utentes e mais de 700 refeições diárias, é feita de
forma profissional e rigorosa fruto do empenho de todos.
Daí que hoje as dificuldades só podem ser ultrapassadas num processo
de interação: irmãos como nós, funcionários, utentes desta Santa Casa e
as suas famílias, entidades oficiais, parceiros, empresas, todos são a
razão da existência desta Santa Casa e onde assenta o nosso compromisso.
É necessário envolver a responsabilidade social de todos, convertendo a
esperança do futuro numa realidade mais confiante.
Bem Vindos a esta Santa Casa,
O Provedor
Mensagem
do Sr. Presidente da Assembleia Geral
Breve apontamento sobre as Misericórdias e a presença Portuguesa na
História da Medicina e da Assistência Hospitalar
Se
efetuarmos um exercício de busca, nos grandes compêndios, de
referências a Médicos Portugueses notáveis, ou a sistemas de assistência
na doença da responsabilidade de portugueses, em regra há omissão e
quando existe referência à mesma é sumária e incompleta.
Eis o resultado de uma pesquisa:
Pedro Julião
– o Papa João XXI (século XIII) – cuja obra fundamental, ‘Thesaurus
Pauperum’, foi livro de texto obrigatório nas Universidades durante mais
de três séculos, é “Pedro Hispano”, originário de uma região da Europa
onde então existiam cinco reinos independentes;
Garcia de Orta
(século XVI), o extraordinário médico e botânico que nos legou uma das
obras mais importantes da História da Medicina, ‘Colóquio dos Simples’,
é, muitas vezes, apenas esquecido;
Francisco Sanches
(séculos XVI e XVII), nascido em Braga, é por vezes referido apenas como
catedrático de Medicina em Toulouse, ou como filósofo nascido em
Espanha;
Ribeiro Sanches,
que terá sido decisivo na reforma do ensino médico no século XVIII, é
frequentemente citado apenas como o médico da Corte Russa, ou o
parisiense de origem espanhola.
Por outro lado, é inútil a pesquisa sobre qualquer contribuição
portuguesa, ou de portugueses, para a organização de cuidados de saúde
ao nível comunitário.
Todavia, a presença portuguesa foi ímpar pelas suas características,
pela qualidade e pela inovação, constituindo um legado incrivelmente
atual.
É nesta perspetiva que apontamos a grande reforma da Assistência na
Doença da história da humanidade, a qual teve como autora a Rainha
Dona Leonor e como executor no seu início o Rei D. João I, e que
transportou consigo até hoje a marca bem portuguesa da hospitalidade.
O Hospital Termal das Caldas – primeiro hospital termal do mundo – e o
Hospital Real de Todos-os-Santos – primeira grande escola médica de base
hospitalar – são tão só a face mais visível dessa reforma extraordinária
em que o essencial se encontra no ‘Compromisso’ mandado lavrar
pela Rainha, e no espírito das Misericórdias, entregues à co-responsabilidade das populações.
Recordemos, pois, os pontos fundamentais dessa espantosa, porque atual,
revolução na história da Assistência hospitalar e social:
1- A existência de um quadro privativo dirigido por um Provedor,
que não podia ser “senhor poderoso ou frade “;
2- Um conjunto de normas administrativas e protocolos que ainda hoje
seriam aplicáveis a muitos locais de assistência;
3- A prestação de contas perante a Mesa da Misericórdia e a reunião
anual de balanço;
4- A completa separação do conceito de ‘hospital’ da ideia de
‘albergaria’, separação que não existia nas obras de assistência
conventuais;
5- A co-responsabilização das populações pela “sua” Misericórdia.
O
Presidente da Assembleia Geral
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